
Recentes casos de raiva em animais domésticos registrados em São Paulo e no Distrito Federal acenderam um alerta urgente sobre questões relacionadas à prevenção. Embora considerada controlada nas últimas décadas, os dados do Ministério da Saúde apontam 270 casos de raiva em cães e gatos no país nos últimos 10 anos, sendo 76% (205 casos) confirmados em cães domésticos.
"A vacinação antirrábica é recomendada pelas autoridades sanitárias e constitui a principal barreira de proteção. Além de salvar a vida do animal, ela previne a transmissão para as pessoas e garante a segurança da saúde pública" - Kathia Soares, coordenadora técnica da MSD Saúde Animal.
Entendendo a Doença e os Riscos
Alta Letalidade
Causada por um vírus da família Rhabdoviridae, a raiva possui taxa de mortalidade próxima de 100% e não tem cura após o início dos sintomas.
Sintomas Críticos
Incluem alterações severas de comportamento, salivação excessiva, dificuldade para engolir, paralisia e pode se manifestar de forma "atípica", sem a fúria comum.
O Perigo dos Morcegos
Os morcegos (não hematófagos) representam quase 8 em cada 10 casos registrados na fauna silvestre e estão presentes no ambiente urbano, ameaçando pets não vacinados.
Transmissão
Ocorre pelo contato com a saliva do animal infectado (através de mordidas, lambidas ou arranhões). A vacina quebra esse ciclo de transmissão.

A Presença Silenciosa dos Morcegos nas Cidades
Os morcegos (inclusive espécies frugívoras e insetívoras) representam quase 80% dos casos registrados na fauna silvestre. Ao se contaminarem, podem cair em quintais, sacadas e áreas residenciais, aguçando a curiosidade de cães e gatos desprotegidos.
Conduta Veterinária: Como Proceder Após Contato
Em caso de suspeita de contato com um animal contaminado, Mary Marcondes, presidente do Conselho de Vacinação da WSAVA, detalha os protocolos médicos imediatos:
Pet Nunca Vacinado (Suspeita)
O animal precisará receber três doses da vacina: no dia zero (data do contato viral), uma semana depois (dia 7), e a última com 30 dias após o registro.
Pet Previamente Vacinado (Suspeita)
Se o pet estiver com o calendário vacinal em dia, ele deverá receber apenas duas doses de reforço, sendo uma no dia zero e outra no dia 30.
Contato Confirmado (Pet Vacinado)
Se houver diagnóstico confirmado de raiva no animal agressor, o pet tomará as duas doses, mas precisará ficar rigorosamente 180 dias em observação sem sair de casa. Se o agressor for monitorado e sobreviver a 10 dias, os 180 dias são suspensos.
Proteção dos Profissionais
Médicos-veterinários, estudantes e equipes de clínica devem estar com sua própria imunização antirrábica e titulação altas e em dia.
Atenção Total!
Se o cão ou gato nunca foi vacinado contra o vírus e for agredido por um animal diagnosticado (morcego, animal de rua, etc.), a conduta atual do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) indica a eutanásia, dada a letalidade do vírus e sua extrema taxa de transmissão humana.
O que NUNCA fazer
Tocar em Morcegos
Nunca pegue morcegos caídos, mesmo com luvas. Cubra-o com um balde, ponha um peso em cima e acione a zoonoses.
Ignorar Ferimentos
Tratar brigas de rua como inofensivas. Um cão que não consegue fechar a boca, por exemplo, pode ser sinal de raiva atípica.
Atrasar o Reforço Anual
A vacina de raiva dura 1 ano. Atrasos deixam o sistema imunológico do seu pet cego e completamente vulnerável à infecção.
Manipular Sem EPI
Veterinários não devem manusear animais com suspeita (babando, com espasmos) sem proteção total e titulação alta.
Vacinar é um Ato de Amor e Responsabilidade!
Não espere o pior acontecer. A raiva é 100% prevenível através da vacina. Verifique agora mesmo a carteirinha do seu pet, agende uma consulta com o seu médico-veterinário de confiança e mantenha a proteção da sua família em dia.